Pet Songs
Domingo, Fevereiro 04, 2007
 
UM ANO...

É verdade. Desde o longínquo
primeiro post do PET SONGS decorreram já 365 dias, tempo em que partilhei outras tantas "canções do dia" (e mais algumas de bónus pelo meio). Um ano depois importa fazer aqui o balanço - é costume e outra coisa não faria sentido.

Foram 12 meses 12 em que a extrema motivação que me levou a começar este blog permitiu manter o ritmo (infernal) de postar uma canção diariamente, tentando manter vivo este espaço e esperando que - nem que fosse pela curiosidade de saber "e hoje o que será?" - os visitantes se mantivessem permanentemente motivados e aqui descobrissem (entre surpresas e decepções) ao menos um punhado de canções que, a partir desse momento, também passassem a ser "canções de estimação" de cada um. Minhas já o eram concerteza.

Dum ponto de vista estrictamente pessoal, tenho de começar por dizer que os vagos objectivos com que inicialmente me comprometi foram totalmente cumpridos. Para além do gozo de escolher e partilhar "aquela" banda ou "aquele" autor, a rotina do quotidiano foi afinal cumprida com post dum texto e respectiva canção a aparecerem regularmente (disciplina, disciplina), até ultrapassar num ano a bonita soma de 10.000 visitas. Por outro lado, as reacções que recebi (em comentários aos posts, por email, ou de viva voz) foram bastante positivas - o que, além de fazer bem ao ego, permite concluir que havia espaço na blogosfera para o formato que escolhi e do qual penso que raramente me desviei. Já agora, e não poderia deixar de o fazer, agradeço a fidelidade de alguns de vós (vocês sabem quem são) que sem dúvida ajudou também a construir aquilo em que o PET SONGS se tornou, e que funcionou desde o primeiro dia como uma motivação extra.

Houve portanto momentos de extrema gratificação, mas outros houve menos bons: problemas com os servidores onde fui colocando os ficheiros mp3 - que episodicamente foram causa de alguma desmotivação, obrigando-me a repensar a pertinência do blog - e, sobretudo neste último mês por diversas razões pessoais e profissionais, uma extrema dificuldade em garantir o post diário (às vezes apenas in extremis, e à custa de outras coisas de que não quero abdicar na minha vida).

Por tudo isto, e porque me parece o melhor momento para fechar o círculo, o PET SONGS acaba hoje. Se calhar um dia voltarei (agora que o bichinho se instalou, não escondo...) mas concerteza que se isso acontecer será num outro formato e com uma rotina diferente. Certo é que, apesar do relativo cansaço, ainda agora me estou a despedir e já sinto saudades...

Canção do dia 4 Fevereiro 2007:

LOVE AND ROCKETS - Saudade
do LP "Seventh Dream of Teenage Heaven" (Beggars Banquet, 1985)



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FIM
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THE END
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Sábado, Fevereiro 03, 2007
 
Canção do dia 3 Fevereiro 2007:

PHIL MANZANERA & 801 - Listen Now
do LP "Listen Now" (E.G. Records, 1977)

Aproveitando a pausa sabática que os Roxy Music se auto-impuseram após a edição de "Siren" em 1975, e antes do regresso quatro anos mais tarde com "Manifesto", os dois pivots criativos do grupo (Bryan Ferry e o guitarrista Phil Manzanera, numa altura em que Brian Eno já se havia afastado) ocuparam o tempo cuidando das respectivas carreiras a solo. Se para Ferry tudo se resumiu ao fim ao cabo a estender para além da banda a sua pose de dandy romântico e crooner clássico, já Manzanera procurou diversificar o seu estilo, retomando inclusivamente algumas pontas soltas do seu passado.

É assim que grava em nome próprio um notável "Diamond Head", reanima os progs-de-vanguarda Quiet Sun que haviam sido uma importante referência da sua carreira pré-Roxy, e se aventura pelos terrenos do jazz-art-rock acompanhado pelos 801 - este basicamente um grupo de amigos ilustres (com Eno à cabeça) que a ocasião reuniu episodicamente ao vivo - para o excelente "801 Live", onde encontramos uma genial versão de "Tomorrow Never Knows" dos Beatles - mas também em estúdio, faceta de que o melhor testemunho é precisamente este "Listen Now".

O interregno chegava entretanto ao fim e pouco depois os Roxy Music (já reduzidos ao trio sobrevivente de Manzanera, Ferry e Andy Mackay) regressariam em força, ainda mais sedutores e sofisticados do que anteriormente,
e preparando-se para um segundo fôlego que os levaria até ao mega-sucesso planetário de "Avalon".

 
Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
 
Canção do dia 2 Fevereiro 2007:

VIOLENT FEMMES - Country Death Song
do LP "Hallowed Ground" (Slash, 1984)

Uma das grandes bandas de culto nascidas na década de 80, a música dos Violent Femmes sempre foi um espelho exemplar da angústia existencial pós-adolescente, ao mesmo tempo que evocava o lado mais negro da América profunda.

Com elevada probabilidade hoje serão mais numerosos aqueles que conhecerão as versões que os recém-famosos Gnarls Barkley ou os portugueses Blunder fizeram de duas das mais emblemáticas canções dos Violent Femmes ("Gone Daddy Gone" e "Blister in the Sun", respectivamente), do que os que se recordarão desta banda de Milwaukee.

Embora, entre todos aqueles que gravaram ao longo duma carreira que formalmente ainda não foi dada como terminada, o meu disco de cabeceira continue a ser o maravilhoso "Violent Femmes" inicial (editado em 1983, e que inclui os originais das duas canções que já mencionei), proponho para hoje o country-gótico de (precisamente) "Country Death Song" que abria o disco seguinte "Hallowed Ground" - sem dúvida um dos momentos mais arrepiantes, tenebrosos e perturbadores de toda a música popular.

 
Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
 
Canção do dia 1 Fevereiro 2007:

KLAATU - Calling Occupants of Interplanetary Craft
do LP "Klaatu" (Capitol, 1976)


Quando este álbum de estreia dos Klaatu foi editado em 1976, muito boa gente levantou a dúvida se por detrás da banda não poderiam estar uns regressados John, Paul, George e Ringo. Sim, esses mesmos. Em boa parte a questão colocava-se porque os Klaatu preferiram refugiar-se no anonimato, omitindo o nome dos músicos da capa. A tudo isto se somavam alegadas mensagens subliminares deixadas um pouco por toda a parte (era suposto tocar o vinil original ao contrário, ou tentar encontrar pistas na gravura da capa) e sobre o assunto diversos artigos foram episodicamente aparecendo na imprensa especializada.

A esta distância tudo nos parece mais ou menos risível, sobretudo porque ouvindo o disco rapidamente se conclui que apenas uma ou duas das canções se podiam considerar como devedoras do som dos Fab Four. Na sua maior parte aquilo que aí encontramos é uma ambiciosa e inspirada mistura de estilos, evidenciando um enorme esforço de produção e incorporando num todo bastante sofisticado outras sonoridades herdadas do soft-pop, do progressivo, ou mesmo do glam-rock. Por entre tanta heterogeneidade, onde cada canção tem uma personalidade muito própria, aquela que acabou por me ficar no ouvido foi esta "Calling Occupants of Interplanetary Craft", de que os Carpenters fizeram aliás uma célebre e xaroposa versão para consumo mainstream.

Na realidade os Klaatu eram três canadianos de seus nomes Draper, Woloschuck e Long que provavelmente nunca imaginaram atingir a projecção que atingiram enquanto o mistério durou. O problema é que mal se soube da verdade o sucesso acabou e, com ele, a inspiração do grupo. Infelizmente os álbuns que se seguiram pecam por medíocres e os Klaatu hoje não são mais do que uma pequena contribuição para o mundo das curiosidades da pop.

 
Quarta-feira, Janeiro 31, 2007
 
Canção do dia 31 Janeiro 2007:

PHILIP GLASS - Changing Opinion
do LP "Songs from Liquid Days" (CBS, 1986)

Um dos nomes mais justamente célebres da escola minimalista (numa shortlist que inclui ainda Steve Reich, Terry Riley ou John Adams), o notável percurso de Philip Glass cruzou-se no entanto algumas (poucas) vezes com o universo do pop-rock. Cito de memória ao menos três momentos fundamentais: foi mentor e produtor dos esquecidos
Polyrock, adaptou a música de David Bowie para um contexto sinfónico ("Low" e "Heroes", duas das obras maiores da fase berlinense de Bowie), e compôs estas belíssimas "Songs from Liquid Days".

Sendo imediatamente reconhecíveis como fruto da inspiração de Glass, as seis canções que o álbum encerra são enriquecidas pelas letras dos seus colaboradores de ocasião (Paul Simon, Suzanne Vega, David Byrne e Laurie Anderson), e pelos talentos vocais e instrumentais dum conjunto de convidados de luxo (Bernard Fowler, que canta "Changing Opinion", e ainda Linda Ronstadt, as Roches, ou o Kronos Quartet).

Podem não ser exemplos dum Glass absolutamente vintage, mas por esta ser uma sua faceta menos conhecida (e normalmente subvalorizada por todos aqueles fundamentalistas que não lhe perdoam estas "heresias") pareceu-me justo e oportuno recordar este disco. E já agora também porque neste dia o seu autor celebra uns bonitos 70 anos.



P.S: mais uma vez o tamanho do ficheiro (9Mb) causa uma pequena demora no acesso ao mp3...
 
Terça-feira, Janeiro 30, 2007
 
Canção do dia 30 Janeiro 2007:

THE LEFT BANKE - Walk Away Renée
single 7" (Smash Records, 1966)
incluído no LP "Walk Away Renée / Pretty Ballerina" (Smash Records, 1967)


Quem os ouve pela primeira vez, particularmente neste primeiro álbum baptizado com o título dos dois singles que lhes trouxeram alguma notoriedade, dirá estar em presença de mais uma das muitas bandas que floresceram debaixo do sol californiano na segunda metade da década de 60. No entanto, os Left Banke eram um quinteto oriundo da mesma New York onde por essa altura os Velvet Underground evocavam o lado mais negro e marginal da "cidade que nunca dorme".

Liderados pelo talento precoce do seu jovem teclista e principal compositor Michael Brown, cujo sentido melódico extremamente apurado e a riqueza das orquestrações que assinou para a banda praticamente motivaram a introdução da designação "pop-barroco" no léxico da música popular, os Left Banke tiveram uma carreira que seria afinal tremendamente curta (apenas mais um álbum, este já sem Brown que partira para formar os Montage) mas que hoje é reconhecida como crucial para definir o som duma época, e - quanto a mim - uma influência maior em gente tão respeitável quanto Elvis Costello, os Mercury Rev ou os Flaming Lips. E pensar que Michael Brown tinha apenas 16 anos quando compôs "Walk Away Renée"!

 
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
 
Canção do dia 29 Janeiro 2007:

THE GOLDEN PALOMINOS - Boy (Go)
do LP "Visions of Excess" (Celluloid, 1985)

Os Golden Palominos foram um projecto liderado por Anton Fier (ex- baterista dos Feelies e dos Pere Ubu, entre outras colaborações) a que nunca correspondeu uma verdadeira "banda", preferindo antes o seu mentor previlegiar a rotatividade dos músicos que em cada ocasião colaboravam nos diversos discos que - sempre com a mesma designação - gravou entre 1983 e 1996 (data em que saíu o derradeiro "Dead Inside").

Se nas suas origens, sobretudo no primeiro álbum homónimo, encontramos Fier rodeado da nata da vanguarda novaiorquina desses inícios de 80 (John Zorn, Fred Frith, Arto Lindsay, Bill Laswell) - com o resultado sendo inevitavelmente mais experimental do que tudo aquilo que viria depois - ao tempo deste segundo disco de originais "Visions of Excess" o som dominante já é totalmente pop-rock, embora a lista de convidados seja igualmente luxuosa. Senão atente-se apenas no line-up de ocasião para a canção "Boy (Go)" que escolhi para hoje: Michael Stipe (voz), Richard Thompson (guitarra), Bill Laswell (baixo), Chris Stamey (coros), além do próprio Fier (bateria, caixas de ritmos). E ao longo do resto do disco ouviam-se ainda as vozes de John Lydon (Rotten, para os íntimos), Syd Straw ou Jack Bruce, entre muitas outras colaborações de peso (Carla Bley, Henry Kaiser, Nicky Skopelitis).

Muito embora a carreira de Anton Fier com os Golden Palominos tenha ao longo dos anos que se seguiram conhecido alguma irregularidade, frequentemente enveredando por estilos talvez demasiado díspares (do folk ao ambiental, passando pela electrónica) que retiraram alguma coerência ao projecto, a força e o brilhantismo dos dois primeiros discos mais do que justificam a sua passagem por aqui.

 
Este blog não tem outros intuitos senão o dar a conhecer ou lembrar quem, por uma ou outra razão, saíu fora do radar público mais alargado. Referências que apesar de serem ferozmente independentes, teimosamente obscuras, ou simplesmente "fora de moda", moldaram o meu gosto pessoal e alimentaram a minha paixão pela música. Só por isso sou obrigado a dar-lhes uma nova oportunidade.



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