É bem sabido que a história sempre se repete. A longa linha da música pop avança em ciclos que se sucedem, por vezes numa evolução lógica de continuum conceptual e estético, outras vezes criando ruturas absolutamente estimulantes. O mediatismo que rodeia aquilo que hoje é tido por hype ou cool, amanhã é simplesmente esquecido – ou mesmo desprezado – por público e crítica.
Na transição da década de 80 para a de 90, e enquanto do outro lado do Atlântico o formato grunge se preparava para dominar a cena alternativa durante alguns anos, em Inglaterra assistia-se a uma rápida sucessão de díspares tendências (ou “cenas”, pegando no anglicismo) que levaram a pop britânica da dançável e “baggy” Madchester (Happy Mondays, Stone Roses) ao britpop classe média urbana dos Blur e Oasis. Pelo meio houve ainda tempo para aquilo que hoje me apraz recordar: o Shoegazing e as suas catedrais sónicas, assentes em guitarras cerradas e feitas de contrastes entre o ruído e o etéreo.
Muito daquilo que eu ouvia por volta de 1990 passava por aqui. Claro que os My Bloody Valentine lideravam o pelotão da frente dos shoegazers (eles que haviam assimilado a herança recente dos Jesus & Mary Chain e a tinham levado para o outro lado do espelho), mas esta é uma banda que pela sua importância e pelo lugar “de estimação” que ocupa nas minhas preferências pessoais merecerá (um dia destes, um dia destes) um post autónomo.
As quatro propostas para hoje servem então desde logo para recuperar outras tantas canções que nos últimos dias de ausência ficaram em débito, mas também para relembrar aquilo que definiria como “best of the rest”. Sem mais, fiquem com os Ride, Lush, Slowdive e Chapterhouse. Canções dos dias 14 a 17 Julho 2006:
Este blog não tem outros intuitos senão o dar a conhecer ou lembrar quem, por uma ou outra razão, saíu fora do radar público mais alargado. Referências que apesar de serem ferozmente independentes, teimosamente obscuras, ou simplesmente "fora de moda", moldaram o meu gosto pessoal e alimentaram a minha paixão pela música. Só por isso sou obrigado a dar-lhes uma nova oportunidade.